Boas, entusiasta das duas rodas! Tudo a rolar?

Daqui fala-lhe um dos apaixonados por motas da Atlanti Motos. Sabe, depois de anos com as mãos sujas de óleo e o ouvido treinado para diagnosticar o “cantar” de qualquer motor, nós aprendemos uma ou duas coisas que não vêm nos manuais. E hoje, decidi partilhar alguns desses segredos consigo.

Muitos clientes chegam à nossa oficina com problemas que poderiam ter sido facilmente evitados. E não, não falo apenas de mudar o óleo (embora, pelo amor da vossa santinha, façam isso a tempo e horas!). Falo de pequenos hábitos e conhecimentos que fazem o coração da sua máquina bater forte e saudável por muitos e longos anos.

Então, puxe um banco, sirva-se de uma bica imaginária e venha daí descobrir o que nós, os mecânicos, fazemos nas nossas próprias motas.

1. O motor odeia “acordar à pressa”: A arte de aquecer (sem exageros!)

A tentação de ligar a mota e arrancar logo a fundo, especialmente naquelas manhãs mais frescas, é enorme. Mas imagine que o acordavam aos gritos e o obrigavam a correr uma maratona. Desagradável, certo? Para o seu motor, a sensação é a mesma.

O óleo, durante a noite, escorre todo para o cárter. Ao ligar o motor, ele precisa de um tempinho para a bomba o fazer circular e lubrificar todas as peças vitais. Ligar e arrancar de imediato é como fazer exercício com as articulações secas: o desgaste é brutal.

O segredo que nem todos contam: Não precisa de deixar a mota a trabalhar parada durante 10 minutos! Isso só aquece o cilindro e não a caixa de velocidades ou os pneus. O ideal? Ligue a mota, deixe-a ao ralenti por 30 a 60 segundos enquanto aperta o capacete e calça as luvas. Depois, arranque suavemente. Nos primeiros quilómetros, conduza com calma, sem “esticar” as rotações. É o aquecimento perfeito para o conjunto completo.

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2. O “sangue” do motor: Mais importante que mudar o óleo, é usar o óleo certo!

Toda a gente sabe que tem de mudar o óleo. O que muitos não sabem é que usar um óleo barato ou com a especificação errada é como dar “fast food” a um atleta de alta competição. Pode até funcionar por um tempo, mas o colapso é inevitável.

  • Viscosidade (10W-40, 15W-50, etc.): Este número não é para enfeitar a embalagem. Indica como o óleo se comporta a frio (W, de Winter) e a quente. Usar uma viscosidade errada pode significar que o motor não está protegido no arranque ou que o óleo fica fino demais a alta temperatura.
  • Especificação JASO MA/MA2: Este é o segredo mais importante para motas com embraiagem húmida (a maioria!). Esta norma garante que o óleo não tem aditivos “modificadores de fricção” que fazem a sua embraiagem patinar. Usar um óleo de carro, por exemplo, é um erro crasso que pode levar a uma reparação dispendiosa.

A dica de ouro: Consulte o manual da sua mota e use SEMPRE um óleo que cumpra as especificações recomendadas. Uma poupança de 10 euros numa embalagem de óleo pode custar-lhe centenas de euros em reparações de motor ou de embraiagem.

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Se tem dúvidas sobre qual o melhor óleo para a sua máquina e o seu estilo de condução, não hesite. Mande-nos uma mensagem pelo WhatsApp. Teremos todo o gosto em dar-lhe um conselho de amigo.

3. Não deixe o motor ferver: O esquecido sistema de arrefecimento

Se a sua mota tiver refrigeração líquida (verifique se tem um radiador), este ponto é para si. Muitos motociclistas só se lembram do líquido de refrigeração quando a luz da temperatura acende no painel. Nessa altura, já pode ser tarde demais.

O sistema de arrefecimento é vital para manter a temperatura do motor estável. E atenção: nunca, mas NUNCA, use apenas água da torneira. A água ferve a 100°C e provoca corrosão e ferrugem em todo o circuito.

O que fazer: Verifique o nível do líquido no vaso de expansão (aquele pequeno depósito de plástico transparente) regularmente. Use sempre um líquido de refrigeração de qualidade (o chamado “anticongelante”), que tem um ponto de ebulição mais alto e aditivos que protegem o motor e o radiador da corrosão. Uma pequena fuga neste sistema pode levar a um sobreaquecimento e a danos gravíssimos, como uma junta da cabeça queimada.

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4. A sua mão direita: O maestro da orquestra (ou o demolisher)

A forma como manuseia o acelerador tem um impacto brutal na saúde do motor. Acelerações bruscas e reduções violentas, para além de colocarem um stress tremendo na transmissão, causam um desgaste prematuro nos pistões, cilindros e válvulas.

Pense no acelerador como um instrumento de precisão. Seja progressivo. Aumente e diminua a velocidade com fluidez. O motor agradece com menos vibrações, menor consumo e, claro, uma vida útil muito maior. É a diferença entre conversar com o motor e gritar com ele.

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5. Não abuse das rotações… nem para mais, nem para menos!

Andar sempre com o motor em altas rotações, no “redline”, é obviamente prejudicial. Causa um stress térmico e mecânico gigantesco. Mas o contrário também é verdade e muitos não sabem disto!

Andar constantemente em mudanças altas com baixa rotação (a chamada “condução em sub-rotação”) força o motor de uma forma terrível. Sente aquela vibração e o motor a “queixar-se”? É ele a pedir para reduzir uma mudança. Essa prática força os rolamentos da cambota e pode causar um desgaste tão ou mais severo que o excesso de rotação. Encontre o “ponto doce” do seu motor, aquela faixa de rotação onde ele trabalha mais à vontade, e tente manter-se aí na maior parte do tempo.

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Um último segredo: Aprenda a “ouvir” a sua mota

A sua mota “fala” consigo. Aquele barulhinho novo que apareceu, aquela vibração diferente, uma pequena dificuldade em arrancar a frio. Não ignore esses sinais. São os primeiros sintomas de que algo pode estar a precisar de atenção.

Quanto mais cedo apanhar um pequeno problema, mais barata e fácil será a solução. Deixar arrastar pode transformar uma simples afinação numa reparação de motor que faz chorar a carteira.

Na Atlanti Motos, acreditamos que um motociclista informado é o melhor cliente. Não porque vai deixar de precisar de nós, mas porque vai saber valorizar um trabalho bem-feito e vir à oficina para as manutenções certas, e não para resolver desastres.

Tem algum som estranho na sua mota que o deixa a pensar? 

Grave um áudio ou vídeo e envie para o nosso WhatsApp.Uma primeira opinião de um ouvido experiente não custa nada e pode poupar-lhe muitas dores de cabeça.

Esperamos que estas dicas ajudem a sua fiel companheira a rolar por muitos e bons quilómetros.

Boas curvas e até à próxima!


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